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certeza

November 5, 2011

Acabaram de bater no meu carro. Aqui no nosso bairro mesmo, o Flavio estava dirigindo. Dois carros estavam parados no meio da rua conversando. O Flavio deu um toque na buzina, numa boa, apenas para pedir passagem. O carro deu ré e, apesar da buzina (bem forte dessa vez), bateu com tudo no meu carro.

Desceram vários “manos”, num total de 4 carros. O motorista que bateu – talvez bêbado, difícil de dizer – saiu dizendo “eu estou errado, eu estou errado”. Inocentemente, fui tirar uma foto da placa do carro dele. Uma parte dos homens me cercaram e disseram “Ele já disse que está errado, coração!”. Eu pensei “OK, e agora ele vai pedir desculpas e está tudo certo?” mas não disse nada. Percebi que eles estavam irritados.

Nesse momento, o Flavio me chama “Julia, vamos embora!”. Aparentemente, o restante dos manos tinha decidido que o carro não estava “zoado”, apesar da placa ter entortado e o carro ter ficado um pouco arranhado. Entramos no carro para ir embora.

Bastante nervosos, eles gritavam que eu estava errada em ter tirado foto do carro deles (e um deles sugeriu delicadamente que eu tirasse uma foto do seu orgão genital, que teria proporções anormais). Disseram então que iriam tirar uma foto do meu carro também. Sem reação nenhuma, apesar da vontade de ir embora correndo, falamos para eles tirarem a foto. Não que tivéssemos escolha, já que eles não saíam da frente do carro. Um deles batia com muita força no vidro onde eu estava, dizendo que tínhamos que deixar eles tirarem a foto, apesar de estarmos deixando numa boa.

Finalmente, saíram da frente do carro e fomos embora. Eles continuaram no meio da rua, gritando nervosos e provando uns aos outros o quanto eles são machos.

Quando a adrenalina baixou, eu só tinha vontade de chorar. Não de medo, mas de raiva. Um monte de homens que ficam corajosos em bando e totalmente reativos por saberem que estavam errados. E com a certeza de que jamais serão punidos por esse tipo de atitude, afinal, fazer tipinho de bandido no Brasil é estilo.

Como sempre no Brasil, pensei em tudo de pior que poderia ter acontecido e não aconteceu. Nos consolamos pensando que “só” fomos agredidos verbalmente e seguimos com nossa vida.

Já faz tempo que não tenho dúvidas de que ficar nessa cidade não é mais uma opção. E hoje, mais do que nunca, tenho certeza que estamos fazendo a coisa certa em fugir daqui. Boa sorte pra quem fica.

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22 Comments leave one →
  1. November 5, 2011 18:20

    Bando de idiotas !!!
    Infelizmente isso existe em qualquer lugar do mundo, não é privilégio só de SP

    • November 5, 2011 18:22

      Idiotas existem em qualquer lugar. A diferença é que em outros lugares do mundo você não precisa ter medo de sair de casa por causa deles. Aqui eu tenho medo todos os dias.

  2. Beto permalink
    November 5, 2011 18:32

    Lamentável…

  3. November 5, 2011 18:37

    Ai … Queridos, por favor não se aborreçam em hipótese alguma, falta muito pouco.
    Tudo valerá á pena, apenas perder a calma é que não vale.
    Tirem as mágoas de dentro de si … limpe seus corações para que nossos pensamentos e energias positivas possam fluir.
    Fiquem com Deus e a proteção de nossa mãezinha, Maria.
    Um beijo muito carinhoso …

  4. November 5, 2011 20:05

    -.- j’a ta chegando…. ainda bem q eu tmb ja vo vaza tmb aihsiahihaiauhsa
    bjoos pra vcs saudades

  5. November 5, 2011 21:45

    Ai, gente! Que tenso, hein?!

    Mas não se abalem, já está chegando a hora! Jázin, jázin vocês estarão em um lugar mais seguro e tranquilo! =)

    Esse tipo de situação está ficando insustentável, como você disse, ‘boa sorte pra quem fica’ porque no Brasil, apesar de todo esse crescimento alardeado pelo governo e pelas mídias, a desigualdade continua e a violência só aumenta. Quando algumas pessoas me perguntam se eu não tenho ‘pena’ de deixar o nosso país em um momento tão importante quanto esse, ou se eu não quero fazer parte das mudanças que estão acontecendo agora, respondo sem hesitar: não. Eu quero tranquilidade e paz para sair na rua AGORA, não quero esperar 30 anos.

    Abraços e força aí!
    Lídia.

    • November 6, 2011 20:21

      Pois é, Lídia. O crescimento econômico do país não terá nenhum efeito na mentalidade pequena do nosso povo. São 500 anos de coisas erradas enraizadas tão fundo…

  6. November 5, 2011 21:51

    Afff mas que situação mais desagradável!!!
    Infelizmente esse acontecimento só reforça a idéia de mudança!!! Digo infelizmente pq não desejo que ninguém tenha que passar por isso…
    Paciência pq falta pouco!!!
    Bjs.,
    Neila

    • November 6, 2011 20:23

      Merci, Neila! Não que tivéssemos dúvida sobre a mudança, mas essas coisas só nos provam que não dá mais pra ficar aqui…

  7. November 6, 2011 08:36

    Speachless… E eu cada vez mais confusa! :-(

  8. November 6, 2011 15:45

    Olá Julia,
    A certeza da impunidade, faz com que cada dia cresca o número de gente deste nível aqui no Brasil.
    Felizmente, vocês não sofreram alguma agressão física.
    Que Deus continue a iluminar seu caminho e do Flávio.
    Ótima semana.

    • November 6, 2011 20:26

      Esse é um dos problemas, Cilei. Já estou cansada de ficar sempre pensando que “felizmente” coisas piores não aconteceram, considerando os absurdos que a gente vê por aí… A gente não deveria se contentar com isso, né?

  9. Les Lapins permalink
    November 6, 2011 19:01

    Essas situaçoes que no Brasil se tornou tao comum “engolir” e que faz se sentir arrasado por semanas, meses (as vezes anos) tem um peso ainda maior às vesperas de embarcar, quando estamos ali “na boca do gol”. Dificil manter a sanidade…somente a esperança de que em breve tudo isso terá ficado para trás, é que é capaz de nos mover para frente…
    É dificil, mas tente mater a lucidez, focar na luz ao fim do túnel. Ela está bem ali na frente!

    Abraços
    Erika

    • November 6, 2011 20:30

      Erika, não tenho dúvidas de que estamos vendo só o lado ruim de São Paulo e do Brasil. Pessimista é pouco. Já faz um tempo que paramos de procurar o lado bom daqui. Mas também, com tantos “estímulos” negativos, será que dá pra evitar?

      O bom é que nosso visto logo logo chega e vamos deixar todo esse medo pra trás. :-)

  10. November 6, 2011 20:21

    Sei que é difícil mas não se deixem abater (pelo menos tentem). Qdo não podemos mudar o que está ao nosso redor, o jeito é nos mudarmos. Vcs já deram esse passo, agora é focar na vida mais tranquila e segura que os aguarda.
    Mta força e luz!
    Bjos

    • November 6, 2011 20:34

      Obrigada, Camila! Ficar aqui e reclamar não adianta. Estamos fazendo nossa parte em busca de uma vida mais tranquila, só falta o sr. consulado fazer a parte dele! ;-)

  11. Daniela permalink
    November 7, 2011 06:52

    Nossa Julia, que incidente mais desagradável…
    O sentimento de impotência é ainda pior, mas logo isso deixará de ser uma realidade no seu cotidiano. ;)
    É por essas e outras q a gente quer ir embora… Não adianta um país crescer economicamente se a educação da sua população não acompanha esse avanço…
    Força…
    bjs

  12. Brazucoise permalink
    November 7, 2011 09:32

    Olá, Julia!

    Sabemos exatamente como se sentem neste momento, pois já sofremos uma agressão como essa… Confesso que foram dias e dias para digerir toda a situação. A sensação que guardo até hoje, quando me lembro dos loucos que agrediram o Fabricio, é de impotência misturada com revolta por não termos N A D A nos amparando neste país! Por essas e outras sinto um certo asco daqui e rogo muito à Espiritualidade para nos guiar rumo a Québec, entende?!

    E vocês já estão saindo desse pesadelo chamado Brasil…

    Abraço Fraterno!

  13. Carol Gonçalo permalink
    November 7, 2011 10:12

    Nessas horas fico sempre pensando que além da violência, da falta de um mínimo de educação, da cidadnia, etc, vivemos num país extremamente machista.
    Fiquei me imaginando na situação de vocês… imagine se vc estivesse sozinha no carro? a situação provavelmente seria muito pior, simplesmente por vc ser mulher…
    Nossa, lamentável. :(

    • Flavio permalink*
      November 7, 2011 10:48

      E a gente ainda tem que agradecer que não aconteceu nada mais grave… :(

  14. November 7, 2011 11:03

    Entendo 100% a reação de vcs e o sentimento de desistência. Há uns 2 anos, um cara bateu no meu carro tbm, na traseira. Em tese, não há o q se discutir: ele tem q pagar. Saí do carro fui falar com ele e posso dizer q o motorista e seu colega estavam chapados (não me pergunte de quê). Pediram pra encostarmos “logo ali na frete no posto” pra não atrapalharmos o trânsito. Atendi. Chegando lá o cara não estava, sumiu. Fui achá-lo depois de dias de busca já q a única informação q tinha era a placa. Com mto custo, força de vontade e pedindo algumas horinhas fora do trabalho (inconveniente) entrei com uma ação no pequenas causas. Meses se passaram e houve a primeira audiência. Quem representou foi a suposta mãe do motorista. Levaram advogado e td. Depois do advogado tentar me colocar como culpado e não vítima não aceitei o acordo. Ora, se o cara bateu ele tem q pagar 100% do prejuízo. No fim das contas, ele ter fugido e me feito de palhaço ter esse trabalho td de entrar com uma ação deu a ele o direito de negociar o valor à ser pago. Na segunda audiências, vários outros meses depois (e com meu carro ainda amassado), fui obrigado a aceitar uma proposta um pouco melhor mas não a ideal e honesta. Se eu não aceitasse acredito q estaria até hoje com esse problema. O cara me pagou em parcelas (que ele chegou a atrasar) e ficamos por isso mesmo. A lição q a justiça brasileira me ensinou: fuja das suas responsabilidades q depois vc consegue amenizar o seu prejuízo. Podemos ir embora AGORA desse paisinho, desse tipo de gente q vive aqui???

  15. Rosilene permalink
    November 8, 2011 08:16

    Nossa Julia, que coisa… Estou colocando as leituras em dia, não tinha lido este post ainda.
    Que coisa absurda, ficamos muito chateados por vocês terem que passar por uma situação dessas, ainda mais no final do processo, mas tá quase pessoal!

    bjos

    Rosi

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